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Indústria automotiva crê em retomada e acelera produção é a manchete do caderno de economia da Folha

O ano começou com queda de 5,2% nas vendas de carros de passeio e veículos comerciais (leves e pesados), mas os dados não foram suficientes para reduzir as esperanças da indústria automotiva. O setor continua a prever a retomada dos negócios ainda no primeiro semestre deste ano.

O otimismo se baseia em dados que vem do “chão de fábrica”: as montadoras reduziram fortemente os estoques no fim de 2016 e agora começam a se movimentar para atender os pedidos das redes concessionárias. A produção cresceu 17,1% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com a Anfavea (associação nacional das montadoras), o número de carros em estoque nas revendas manteve-se estável em janeiro (por volta de 135 mil unidades), mas há 51,4 mil veículos nos pátios das montadoras –alta 22% na comparação com dezembro.

Do lado dos lojistas, a maior demanda por carros é explicada pela melhora na oferta de crédito.

Segundo dados da Anfavea, 54,7% dos veículos vendidos em janeiro foram feitas a prazo. Em novembro, esse percentual havia ficado em 50,3%, o pior resultado desde que as informações sobre a forma de comercialização passaram a ser computadas pelo Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).

Contudo, a retomada ocorrerá sobre bases rasas. O setor automotivo retornou 11 anos no tempo: registra números de 2006 em vendas.

Em 2012, a Anfavea acreditava que o mercado interno nacional chegaria a 2017 com capacidade para absorver, pelo menos, 4 milhões de carros de passeio e veículos comerciais. Pelos cálculos atuais –que consideram um crescimento de 4% em 2017 sobre o ano passado–, os emplacamentos devem ser pouco superiores a 2,1 milhões de automóveis.

O nível de empregos permaneceu estável entre dezembro e janeiro, mas há 10,5 mil funcionários afastados em regime de “lay-off” (suspensão temporária do contrato de trabalho) ou pelo PSE (Programa Seguro-Emprego).

CAMINHÕES

O dado mais negativo de janeiro foi a venda de caminhões, que caiu 33,3% em janeiro na comparação com o mesmo mês em 2016.

As 2.947 unidades emplacadas representam o pior resultado para o início do ano desde 1997, mas a Anfavea espera que o bom momento do agronegócio faça o setor de veículos pesados reagir.

Segundo o vice-presidente da Anfavea Marco Antonio Saltini, “janeiro sempre é um mês fraco para veículos pesados”, e o processo de negociação de caminhões pode demorar até seis meses. O setor acredita nas previsões de que a supersafra irá injetar um extra de R$ 30 bilhões na economia em 2017.

FGTS

Outro dinheiro esperado pelas montadoras vem da liberação do saldo de contas inativas do FGTS. As empresas acreditam que parte dos R$ 40 bilhões previstos podem ser investidos na aquisição de automóveis.

Em 2016, a produção de veículos no Brasil caiu 11,2% na comparação com 2015. O pico foi em 2013, com 3,71 milhões de unidades.

A expectativa é a de que a produção suba 11,9% no acumulado de 2017, impulsionada também pela exportação de automóveis, que segue em crescimento.

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