Noticias

Repatriação ajuda e déficit dos Estados fica estável é a manchete do Valor

O repasse aos Estados dos recursos obtidos com o programa de repatriação deu grande contribuição para o resultado primário dos governos regionais. O déficit primário dos 27 Estados incluído o Distrito Federal, ficou estável em R$ 3,6 bilhões de 2015 para 2016 e o número de entes no vermelho caiu de 13 para dez.

No ano passado, foram repassados aos Estados R$ 10,07 bilhões em arrecadação de Imposto de Renda e multa por conta do programa. Desse total, cerca de 80% foram destinados aos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No grupo de Estados das três regiões, o déficit primário de R$ 987,4 milhões em 2015 se transformou em superávit de R$ 5,48 bilhões no ano passado. O Valor levantou os dados do ano passado de 27 Estados só o Rio de Janeiro ainda não divulgou as informações completas e, por isso, foram considerados os números até outubro.

George Santoro, secretário de Fazenda de Alagoas, diz que a melhora dos resultados de alguns Estados deve ser olhada com cautela por conta da influência da repatriação. No Sul e Sudeste, os números do resultado primário fizeram o caminho inverso no agregado das demais regiões. O déficit subiu de R$ 2,6 bilhões em 2015 para R$ 9,1 bilhões. Esse resultado consolidado foi bastante influenciado pelo péssimo desempenho do Estado do Rio, que teve um déficit de R$ 7,34 bilhões de janeiro a outubro. Excluindo-se o Rio, as regiões Sul e Sudeste passaram de um superávit de R$ 1,78 bilhão em 2015 para um déficit de R$ 1,76 bilhão no ano passado.

“A repatriação foi uma receita atípica e, como tal, serviu para camuflar um pouco a crise, ainda mais com repasses no final do ano”, diz o economista José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV.

A parcela relativa às multas, lembra Afonso, foi repassada aos Estados em 20 de dezembro R$ 5,03 bilhões e aos municípios em 30 de dezembro R$ 5,5 bilhões. Os governos regionais tiveram pouco tempo para gastar os recursos. Segundo dados do Banco Central compilados pelo economista, os Estados fecharam o ano com depósitos bancários de R$ 3,8 bilhões e as prefeituras, de R$ 6 bilhões.

Deixe uma resposta