Noticias

ENTREVISTA de Romário no Globo Ex-artilheiro, senador vai ao ataque: desta vez, contra Pezão e Crivella

Você ainda está perdendo peso ou já entrou na fase de ganhar? Quando operei, no dia 24 de novembro, eu pesava entre 78 e 79 quilos. Hoje, estou com 64, 65 quilos. Está tudo dentro do planejado, mas a questão é que, 16 dias depois da cirurgia, comecei a fazer algumas coisas que deveria estar fazendo somente agora, com 71 dias de operado. Extrapolei mesmo. Fiz um esforço prematuro, jogando futevôlei e minhas peladas. Não fosse isso, talvez estivesse com dois ou três quilos a mais.

Mas os médicos liberaram você para tanto esforço físico? Olha, sei que se não estivesse fazendo o que faço estaria em uma fase de ganhar peso, mas não tenho como deixar de fazer. Vou continuar fazendo.

Está conseguindo se alimentar? Era para estar começando somente agora a sair do líquido para o pastoso. Mas uma semana depois da cirurgia já entrei no pastoso. Nos primeiros dias, era só suco e água. Depois, fui para o sorvete, as sopas, os cremes. A única coisa que tenho dificuldade de comer é carne, que é ruim de digerir. Ah, e arroz não tem me caído bem. Hoje, comi purê e steak tartare. De três em três horas, eu me alimento. Hoje, como cinco vezes ao dia.

Sua alimentação deixará de ter restrições no futuro? Nenhum médico me falou que eu ia deixar de comer. Espero que isso não aconteça. Quase todo sábado da minha vida, no mínimo dois por mês, eu comia feijoada. Voltarei a comer, se Deus quiser. Gosto também de mocotó e rabada, mas tenho quase certeza de que são coisas que não vão me cair bem.

Ficou assustado com sua perda de peso? Estou com o peso de quando tinha 22 anos. Claro que a perda de peso, nos primeiros 20 dias, me deixou preocupado. Mas fui muito bem alertado para tudo. Sempre soube. Já te falei, eu fiz maluquices.

Você nunca foi de beber, mas gosta de um espumante… Bebi no réveillon e no meu aniversário, mas não me atrai muito. Nem sei se podia beber, mas bebi e o médico vai saber agora, porque vai ler a matéria (risos).

Então está curado da diabetes? No vigésimo dia pós-cirurgia eu não era mais diabético. Tenho certeza de que não vai voltar. O médico diz que não volta e que, entre o primeiro e o sexto mês, a pessoa pode deixar de ter a doença. Já estou curado. Hoje, medi a glicose de manhã só para poder te informar na entrevista. Estou com 92mg/dl.

E esse machucado no pé? Não tem a ver com diabetes? Está inchado… Baixa imunidade? Não. É uma frieira. Foi na areia da praia… Vou ao dermatologista.

A diabetes já vinha trazendo consequências ruins? Eu já ia começar a usar insulina, tinha deixado de comer as coisas de que gosto. Fiz a cirurgia com dois propósitos: deixar de ser diabético e comer de tudo, adoro doce… Sorvete, pudim, torta de limão, manjar…

O que é mais indigesto: o futebol ou a política? Os dois são. Mas a política é pior. Há muita corrupção, sujeira, enganação. Você combina, aperta a mão, olha no olho, mas não assina um contrato. Então, as pessoas não cumprem.

Você foi vítima disso? Fui vítima do (Luiz Fernando) Pezão. Ajudei-o no segundo turno, e ele disse que ia dar atenção à saúde e educação. Prometeu fazer um hospital de diagnóstico e recuperação para pessoas com deficiência e doenças raras. E nunca mais me atendeu. E entrei para a campanha do Crivella no primeiro turno. Entendi que era e continuo achando que é o melhor para nossa cidade. Depois de eleito, ele me chamou e me convidou para participar de sua administração. O tema dele, cuidar das pessoas, tem a ver comigo. Mas sumiu.

Você quase rompeu com o PSB, e não é recebido por ele? Tentei falar com o Crivella nos primeiros dez dias, e ele não me atendeu. A frase para esses caras é a seguinte: quem é ruim se destrói sozinho. Se eu me arrependo? Em relação ao Pezão, talvez sim. Do Crivella, ainda não, apesar de estar fazendo várias besteiras, coisas que eu não faria…

O que achou de ele ter nomeado o filho para a Casa Civil? É uma besteira. Uma besteira ter colocado pessoas que nada tem a ver colocar na prefeitura.

Que participação você teria na administração dele? Acredito que seria através do esporte. Eu poderia indicar um secretário, como indiquei na gestão do Paes (Marcos Braz, de Esportes, em 2015).

Qual é a sua opinião sobre o viceprefeito Fernando Mac Dowell, que deve R$ 215 mil de IPTU? Não consigo admitir que a escolha do vice-prefeito do Rio tenha sido feita dessa forma, sem levantar o que ele fez na vida. Isso não existe. O bom é que o Crivella, assim como eu, tem muita fé em Deus. Ele disse que Deus vai fazer com que o vice-prefeito pague suas contas. Tomara.

Está magoado com o Crivella? Quase fui expulso do partido. Ele tem que ser homem e cumprir a palavra dele. De prefeito e de homem, que não está sendo comigo. Não vou nem dizer que ele é safado. Vou dizer que ele não está sendo homem de palavra. Tem que ter a atitude de me ligar, me chamar no gabinete dele e dar uma satisfação. Não falo com ele desde o último dia em que estivemos juntos no plenário (do Senado. A gente ficou duas horas conversando no dia 18 de dezembro. Ele disse: “Quero você participando comigo da minha administração”. De lá para cá, nunca mais me atendeu.

Onde você, que já foi o melhor jogador do mundo, quer chegar na política? Estou há seis anos na política e estou mais do que feliz. Não poderia ter escolhido um caminho melhor. Quero fazer meus próximos seis anos de Senado. Já passaram dois, faltam seis. Depois, vou ver. Uma coisa de cada vez.

Sonha com a prefeitura? Não disputei por alguns motivos. Um deles, a falta de apoio do partido. Daqui a quatro anos, quem sabe?

A situação do Maracanã te entristece? Para mim não é novidade o mau gasto do dinheiro público no Maracanã. O governador é um imbecil, um idiota de deixar um patrimônio público às traças. É um covarde.

Um sobrinho seu, Ronaldo Cesar, foi preso na quinta-feira por tráfico. Você vai ajudá-lo? Meu irmão vai botar um advogado. Eu vi esse sobrinho umas cinco vezes na vida e não tenho relação com ele. Mas é meu sobrinho e, por mais que eu diga que quem faz isso tem que ser preso, um pai não abandona um filho nunca. E um tio não abandona um sobrinho. O que a gente vai fazer é botar um advogado.

E a prisão do empresário Eike Batista e do ex-governador Sérgio Cabral? Eles são merecedores. É isso. Tinham consciência da corrupção, do roubo, da sacanagem. Chegou o dia deles. Eike Batista, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha… O Brasil está mudando. Isso é um bom sinal.

 

Deixe uma resposta