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Contra desgaste, Câmara terá porta-voz, diz o Valor

Para evitar o desgaste de aparecer como a “cara” de votações polêmicas, como ocorreu nas “10 Medidas Contra a Corrupção”, o presidente reeleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pretende colocar um porta-voz para falar pela Casa, nos moldes do que é feito pelo Executivo e quebrando da tradição no Legislativo, onde é o presidente que externa as posições institucionais.

A indicação de um porta-voz faz parte da reestruturação na comunicação da Câmara, de acordo com aliados. Segundo Maia confidenciou a deputados próximos, o porta-voz evitaria uma exposição excessiva de sua imagem, principalmente em pautas que ele considera negativas, e garantiria uma posição institucional, melhorando o diálogo com a sociedade.

Uma reclamação recorrente nas visitas que o agora presidente reeleito fez a deputados em busca de votos foi a falta de explicação sobre os assuntos que a Câmara votou.

As maiores críticas foram a duas situações que ocorreram nos sete meses de gestão de Maia: a tentativa de os partidos aprovarem, numa segunda-feira à noite e fora da pauta pública de votações, a anistia ao caixa dois eleitoral para se antecipar a delação premiada da Odebrecht; e a votação das 10 medidas, projeto do Ministério Público protocolado com apoio de dois milhões de assinaturas e enxugado pela Câmara. Para parlamentares, faltou uma posição institucional mais clara sobre o que foi aprovado.

Ao Valor, o presidente da Câmara confirmou a ideia do porta-voz, mas não quis dar detalhes.

O indicado pode ser um parlamentar com boa comunicação ou alguém de fora da Câmara, segundo fontes. No caso do presidente Michel Temer, foram sondados jornalistas de renome para o cargo, mas o escolhido foi o diplomata Alexandre Parola, que exerceu a função também no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O presidente pretende também reestruturar a comunicação para atingir as redes sociais e WhatsApp, ferramentas que têm rapidamente disseminado informação. A ideia é, além de monitorar a mídia tradicional, acompanhar blogs e mídia alternativa, como movimentos sociais no Facebook, e publicar respostas claras com o posicionamento da Câmara.

O foco será explicar as grandes reformas que estão na agenda, como a previdenciária e a trabalhista. Em 2015, ao votar a regulamentação da terceirização, as redes sociais tiveram pesada influência sobre a opinião pública, afetando o voto dos deputados. Maia, que por várias vezes criticou a falhas na comunicação do governo sobre os projetos propostas, não quer que essa repercussão negativa afete as votações na Câmara.

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