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Citado em delação, Moreira Franco vira ministro e ganha foro especial é a manchete do Estadão

O presidente Michel Temer concedeu ontem status de ministro a Moreira Franco, atual secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que é um dos citados em delações na Operação Lava Jato. Para abrigar o aliado, o presidente recriou a Secretaria-Geral da Presidência da República.

Ao virar ministro, Moreira Franco (PMDB) ganha foro privilegiado e, caso passe a responder a processo, deverá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Secretaria-Geral terá sob sua responsabilidade, além do PPI, a Secretaria de Comunicação, a de Administração e o cerimonial da Presidência. Segundo o porta-voz do Planalto, Alexandre Parola, “suas tarefas estarão voltadas para dar apoio e conferir maior agilidade ao funcionamento do Planalto”.

Além da Secretaria-Geral, também foi recriada a pasta dos Direitos Humanos, extinta após o impeachment de Dilma Rousseff. Com isso, o número de ministérios de Temer passa de 26 para 28 pastas.

Também houve uma reestruturação no Ministério d a Justiça. Neste caso, Temer deu força política a Alexandre de Moraes, que é do PSDB e até então estava cotado para ocupar a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, fica praticamente descartada a possibilidade de ser indicado para a Corte. Em meio à crise penitenciária, com mais de 100 presos mortos neste ano, a pasta passa a se chamar Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Amudançatambématendeapedido da chamada “bancada da bala” no Congresso.

Mulher. Temer nomeou a desembargadora Luislinda Valois para o novo Ministério dos Direitos Humanos. A pasta havia sido extinta pelo presidente com a justificativadereduzirgastos.

Na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso. foi oficializado ontem a ida do líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA). A posse dos novos ministros será hoje, às 11h.

Aliado de Temer é ‘Angorá’ em lista de delator

Alçado ao status de ministro, Moreira Franco é citado em anexo da delação premiada do exexecutivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. O documento foi divulgado em dezembro, após a empreiteira assinar o acordo de colaboração com o Ministério Público Federal.

Melo Filho afirmou que tratou de negócio da empreiteira na área de aeroportos com Moreira Franco, que foi ministro da Aviação Civil no governo Dilma Rousseff (2011-2016). O peemedebista é citado nas planilhas da Odebrecht como “Angorá” e tratado como arrecadador do PMDB. Ele nega qualquer irregularidade.

Elo entre a empresa e políticos em Brasília, o delator relata pedidos da empreiteira e pressão por parte do peemedebista, que é homem de confiança do presidente, Michel Temer. “Em algumas oportunidades me reuni com Moreira Franco para tratar sobre temas afetos à aviação civil”, afirmou Claudio Melo. “Moreira Franco é um político habilidoso e se movimenta muito bem nas ações com seus pares. Acredito que há uma interação orquestrada entre ele e Eliseu Padilha (ministro da Casa Civil) para captação de recursos para o seu grupo do PMDB.”

O ministro teria solicitado a ele “um apoio de contribuição financeira, mas transferiu a responsabilidade pelo recebimento do apoio financeiro para Eliseu Padilha (atual ministro da Casa Civil).”

Defesa. Moreira Franco disse na época da divulgação da delação ser mentira a citação feita por Claudio Melo Filho.

É mentira. Reitero que jamais falei de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Claudio Melo Filho.”

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