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Para Meirelles, Brasil sai da recessão no 1º trimestre, diz a Folha

O Brasil deverá sair da recessão no primeiro trimestre deste ano, prevê o ministro Henrique Meirelles (Fazenda).

“Nossa expectativa é que [a economia] saia da recessão, o que significa que cresce a uma taxa moderada no primeiro trimestre, mas já entra numa trajetória de crescimento durante o ano”, disse.

Ao fim de 2017, o ministro manteve a previsão de que o ritmo de crescimento chegará a 2% frente ao quarto trimestre de 2016.

“Estamos tomando medidas para tirar o país da pior recessão de sua história, e isso já está acontecendo. Diversos setores já voltaram a crescer em dezembro.”

Ele citou o setor automotivo, de transporte pesado, e também mencionou que o fluxo de veículos de carga nas estradas aumentou no fim do ano, assim como o de papelão usado em embalagens.

“Eram antecedentes indicando que a produção industrial havia crescido e ela cresceu, o que significa que o país já está em processo de retomada.”

Sem adiantar qual será a revisão na projeção de crescimento em 2017 do Ministério da Fazenda, ele disse que “o importante é que o Brasil vai crescer neste ano a uma taxa forte para quem sai de uma recessão.”

O ministro participou de evento do banco Credit Suisse, em São Paulo, onde palestrou para uma plateia de investidores e analistas do mercado financeiro.

Entre as boas notícias que levou, Meirelles celebrou o fato de o governo ter cumprido com folga a meta de deficit fiscal do ano passado.

“Muitos analistas questionaram por um tempo se conseguiríamos cumprir a meta, apesar de termos declarado uma meta realista, após avaliação rigorosa”, disse.

Ele atribuiu o deficit a despesas que foram herdadas da gestão Dilma Rousseff, como dívidas atrasadas de embaixadas no exterior e restos a pagar em obras inacabadas.

A meta do governo neste ano é de um deficit menor, porém ainda gigantesco, de R$ 139 bilhões. Meirelles, contudo, diz que o governo está fazendo esforços.

“Se a tendência do crescimento das despesas dos anos anteriores fosse mantida, o deficit neste ano seria de R$ 280 bilhões. Para termos a ideia da dimensão do que está sendo feito”, disse.

Além do limite criado pelo teto de gastos, o governo conta ainda com o crescimento da receita em 2017, na esteira da esperada recuperação da economia.

AGENDA MICRO

Uma das apostas do governo para recuperar taxas mais elevadas de crescimento e não repetir a sina do “voo de galinha” são medidas no campo microeconômico. Elas têm potencial de melhorar o ambiente de negócios no país.

O ministro listou uma série de inciativas para reduzir burocracia e aumentar a competitividade que estão na agenda do governo.

Na semana que vem, segundo o ministro, serão lançadas medidas elaboradas por um grupo de trabalho focado em reformas microeconômicas.

Entre as frentes de ação do grupo, estão a reformulação da lei de recuperação judicial e medidas para a redução do custo do crédito, antecipou o ministrou.

Na palestra em São Paulo, Meirelles deu ênfase a iniciativas microeconômicas. Disse que elas darão condições para sustentar o crescimento, após a saída da recessão, possibilitada pelo ajuste das contas públicas e outras ações macroeconômicas.

O sistema que unificará as informações contábeis e fiscais das empresas, em estudo na Receita Federal, poderá reduzir em um quarto o tempo hoje gasto pelas empresas para cumprir obrigações fiscais. Essa medida, assim como a nota fiscal de serviços eletrônicos deverão sair do papel ainda neste ano, prometeu Meirelles.

O ministro também se comprometeu em reduzir o tempo de abertura de empresas em São Paulo dos atuais 101 para três dias em um ano.

“Para aumentar o crescimento potencial do pais, temos que atacar o setor macroeconômico e também essa série de problemas micro, para fazer o Brasil mais efetivo ao longo dos próximos anos”, disse.

Técnicos do Banco Mundial estão trabalhando com o governo em algumas dessas ações, acrescentou o ministro.

No curto prazo, porém, Meirelles prevê que o crescimento não se dará turbinado pela volta imediata do crédito.

“O crescimento não virá de uma expansão temporária do crédito ou de um boom de consumo que termina, será um processo equilibrado e normal de retomada.”

O desenho traçado pelo governo é que, à medida que as famílias e empresas reduzam seu endividamento, haverá a recomposição do consumo e dos estoques, o que seria seguido da volta do investimento.

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