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Na despedida, Renan distribui ataques é o título de matéria no Globo

Antes de anunciar o nome do seu sucessor, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu a quebra do sigilo das delações feitas dentro da operação Lava-Jato. Alvo da investigação, Renan fez um discurso de despedida recheado de recados e ataques ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Ele disse que o fim do sigilo acabará com as “manipulações”.

É preciso abrir o sigilo das investigações. Que se abra, se quebre o sigilo, para que a população não seja manipulada. Sempre defendi a continuidade da Lava-Jato. Qualquer investigação requer transparência e mesmo o fim do sigilo. Reagimos à altura. Algumas vezes de maneira enfática, como a situação exigia — disse Renan, mostrando impaciência:

Ninguém, absolutamente, busca a imunidade, mas apurações precisam ser feitas dentro do limite da lei. Não se combate eventuais crimes cometendo outros crimes.

Ele elogiou a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, ao defender o fim do sigilo. Num confronto constante com o Ministério Público e do Judiciário, Renan disse que há segmentos do poder flertando com o “fascismo”.

Jamais seria presidente do Senado para me conduzir com medo, com temor. Há segmentos do poder flertando com o fascismo. A história não perdoa os oportunistas e jamais esquece os covardes e os omissos — disse Renan.

Enfático, o peemedebista disse que os senadores e políticos em geral não poderia ser uma “manada tangida pelo medo”, numa alusão àqueles que, como ele, enfrentam problemas ou investigações.

Renan disse ter agido de forma enfática em alguns episódios, alegando que estava defendendo o Senado como instituição. Lembrou as ações de prisão do ex-senador Delcídio Amaral, das buscas da Polícia Federal dentro do Senado e ainda contra o que chamou de “vazamentos manufaturados conforme a conveniência da fonte”.

Renan é o novo líder do PMDB no Senado e, com esse discurso, mostra que não desistiu de ter uma postura mais ofensiva do que a do próprio Eunício Oliveira (PMDB-CE). Ele ainda deu um recado de que não desistiu de votar uma lei contra o abuso da autoridade:

O abuso de autoridade é enraizada hoje na sociedade

E ainda lembrou o episódio em que o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, decidiu em liminar afastá-lo do comando do Senado por ele ser réu em ação de peculato. Na ocasião, Renan não recebeu a notificação, e o pleno do Supremo o manteve no cargo.

A Mesa Diretoria foi altiva na controvérsia liminar dada em favor do afastamento do seu presidente. O Senado nunca foi indutor da crise — disse ele.

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