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Eunício, do PMDB, é eleito presidente do Senado é o título de matéria no Estadão

O peemedebista Eunício Oliveira (CE) foi eleito ontem presidente do Senado, com 61 votos, após acordo entre base e oposição. Em discurso, o senador criticou a interferência entre os Poderes. “É necessário fazer com que o Senado não perca a corrente da luta contra a corrupção. Mas é essencial ser firme quando um poder parece se levantar contra outro poder.”

A afirmação vem de um episódio de enfrentamento protagonizado por seu antecessor, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal.

Em entrevista já como novo presidente do Senado, Eunício disse ser favorável à divulgação das delações da Odebrecht, como propôs o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR) (mais informações na pág. 6). Em delação, o ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho citou Eunício, cujo apelido, segundo ele, era “Índio”. O peemedebista nega irregularidades.

Eunício também tentou mostrar sintonia com a pauta do presidente Michel Temer, defendendo que o Senado assuma uma posição de “protagonismo” no combate à crise econômica. “Precisamos trabalhar para reestruturar e restaurar a confiança em nosso sistema econômico”, disse. Temer ligou para o novo presidente do Senado e o cumprimentou pela vitória.

Renan. Em discurso de despedida, Renan voltou a criticar as ações do Judiciário e do Ministério Público e defender o projeto que atualiza a lei de abuso de autoridade. “Jamais seria presidente do Congresso para me conduzir com medo. Demonstrei isso por ocasião da prisão do senador (cassado) Delcídio Amaral, com flagrante forjado; nas conduções coercitivas impróprias contra senadores; das buscas e apreensões ilegais; e dos vazamentos manufaturados conforme a conveniência”, afirmou o senador.

Peemedebista é conhecido pelo lado empresário

A eleição ontem de Eunício Oliveira (PMDB-CE) como presidente do Senado confirma sua rápida ascensão na Casa. Em seu primeiro mandato, o parlamentar de 64 anos é o segundo senador mais rico no exercício do cargo, com patrimônio declarado de R$ 99 milhões em 2014, posa à vontade no papel de “self-made man” e tenta vender a imagem de independência dentro de um partido repleto de caciques.

Uma das explicações para a rápida chegada de Eunício à presidência do Senado é a proximidade com o presidente Michel Temer – de quem diz ser amigo –, combinada com o bom trânsito entre petistas.

Eunício chegou ao Senado em 2011, com apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quem votar em um vota no outro”, disse Lula em propagandas da chapa de Eunício e José Pimentel (PT).

Articulador. Eunício chegou ao Senado chancelado pelo governo petista. Assumiu o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), principal colegiado da Casa, foi relator de projetos importantes, foi líder do PMDB na Casa e se tornou articulador do governo Dilma Rousseff. De Lula, foi ministro das Comunicações. Em meio ao impeachment de Dilma, no entanto, se manifestou a favor do afastamento da petista.

Eunício tenta aplicar na política o perfil de quem “se fez sozinho”. Natural de Lavras da Mangabeira (CE), foi para Fortaleza com 14 anos e começou a trabalhar como auxiliar em uma fábrica de biscoitos. Chegou a Brasília no fim da década de 1970, quando assumiu a participação em uma empresa de prestação de serviços. Ao longo dos anos, os negócios se transformaram em uma holding que opera contratos, principalmente, no setor público.

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