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Analistas já veem inflação abaixo de 4,5% neste ano é a manchete do Valor

Instituições financeiras, gestoras de recursos e empresas de consultoria começam a acreditar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, ficará abaixo da meta de 4,5% neste ano. Esta ainda não é a opinião predominante no mercado, mas o grupo de analistas que pensa assim vem crescendo.

De 28 consultorias e bancos consultados pelo Valor, nove já trabalham com essa hipótese, que não se materializa desde 2009, quando o IPCA ficou abaixo da meta pela última vez: 4,31%. Está sendo determinante para as revisões a surpresa favorável nas últimas coletas de preços, principalmente de alimentação e serviços. Outros itens que também subiram menos que o esperado nos últimos meses foram bens duráveis e preços administrados.

Depois da divulgação do IPCA-15 de janeiro, que avançou apenas 0,31% menor alta para o mês desde 1994 -, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, cortou para 4,37% sua projeção de inflação para 2017. “Tudo está indo mais rápido do que se imaginava”, disse.

Uma inflação abaixo da meta coloca o Banco Central diante de dois desafios: acelerar ainda mais o ritmo de redução da taxa básica de juros (Selic), hoje em 13% ao ano, e propor ao Conselho Monetário Nacional (CMN), do qual faz parte ao lado dos ministros da Fazenda, Hen-rique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, a redução da meta de 2019, a ser anunciada em meados deste ano.

Não há ainda uma decisão, mas a tendência é o BC aproveitar o forte recuo da inflação para propor a diminuição da meta. Como a meta de um ano é sempre fixada dois anos antes, a redução do objetivo a ser perseguido ajudaria a levar as expectativas dos agentes econômicos para o novo patamar, mais baixo, o que, por sua vez, seria feito a um custo menor em termos de política monetária.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, declarou há dois dias que a meta poderia cair para 3%, mas isso não seria para 2019. O Valor apurou que ele pensa, na verdade, em um prazo de dez anos para atingir esse objetivo. A preocupação é evitar um custo muito alto, em termos de atividade econômica, na busca por uma inflação mais baixa neste momento.

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