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BNDES encolhe e volta ao nível de 20 anos atrás é a manchete do Valor

Números divulgados ontem pelo BNDES mostram um encolhimento nunca visto na atuação do principal banco de desenvolvimento do país. Os desembolsos do ano passado somaram apenas R$ 88 bilhões, uma redução de 35% em relação a 2015 R$ 135,9 bilhões em valores constantes, corrigidos pela inflação. Em porcentagem do PIB, os desembolsos caíram para 1,4%, o menor nível em 20 anos. O auge dos desembolsos foi em 2010, quando representaram 4,3% do PIB, ou R$ 246,3 bilhões em valores atualizados.

Os números do BNDES refletiram a situação econômica do país depois de dois anos de recessão e também a nova política contracionista adotada no governo Temer, que trocou toda a diretoria do banco. Ao comentar o desempenho, o economista Fábio Giambiagi, superintendente da área de planejamento e pesquisa da instituição, disse que o retorno ao nível de desembolso de R$ 100 bilhões não está em perspectiva porque “não seria realista”.

Giambiagi disse que o BNDES não é uma “ilha” na economia brasileira. Lembrou que o PIB teve uma queda de 8,3%, em termos dessazonalizados, entre o primeiro trimestre de 2014 e o terceiro trimestre do ano passado e que o crescimento dos desembolsos do BNDES está associado à dinâmica do investimento na economia.

O impacto da recessão está claramente evidenciado na redução da procura por financiamentos. No ano passado, as consultas caíram 11%, para R$ 110,3 bilhões. Elas funcionam como indicador para medir o interesse do empresariado por novos investimentos. Também baixaram para o menor nível em 20 anos em relação ao PIB: 1,7%, em comparação com 6,7% em 2009, seu ponto mais alto.

A política dos governos Lula e Dilma que permitiu ao BNDES alcançar esses níveis expressivos de financiamento foi, segundo analistas, responsável por uma parcela do déficit fiscal que hoje corrói o setor público e afeta a retomada da economia. Foi um erro, observam, a política de subsidiar com dinheiro do contribuinte investimentos que poderiam ter sido financiados no próprio mercado.

Olhando para os números divulgados ontem, porém, os mesmos analistas manifestam a preocupação de que o BNDES se recolha além do necessário neste momento de retomada.

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