Noticias

Nas falas, sinais de colaboração à vista, diz O Globo

Embora tenha evitado falar sobre a investigação a que responderá, pois está “sub júdice”, o empresário Eike Batista, ainda no aeroporto de Nova York, deu pistas de como vê os crimes de que foi acusado e sinais de que poderá acabar fazendo acordo de delação premiada. Mesmo sem citar nomes, disse que o esquema de corrupção dos governos é maior do que se imagina e que não era ele quem oferecia carona para governantes em seu avião — “os políticos é que o pressionavam a fazer isso.” Ele afirmou ainda que, em geral, os empresários são vítimas dos políticos corruptos. E disse que não acredita ter errado.

Eike negou que tenha tratado com algum advogado a possibilidade de propor um acordo de delação premiada, mas antecipou a disposição de colaborar com a Justiça, quando afirmou que “está na hora de ajudar a passar as coisas a limpo”.

Depois de acompanhar a chegada do empresário ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, o advogado Fernando Martins ressaltou que ainda não definiu a estratégia de defesa de seu cliente. Ele afirmou ainda que é cedo para falar sobre a hipótese de um acordo de colaboração premiada.

Todos viram a entrevista (dada no aeroporto de Nova York), no sentido de que ele prestará os esclarecimentos que a polícia e a Justiça solicitarem. Ainda não tive contato com meu cliente, então não definimos nenhuma linha de defesa — disse Martins, que, no entanto, não considerou as declarações de seu cliente como um prenúncio de delação. INTIMIDADE E BENEFÍCIOS Os laços do empresário com o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, com quem dividiu também passeios e viagens, são reforçados pelo alto volume de propina que Eike teria pago ao amigo apenas segundo a Operação Calicute: US$ 16,5 milhões, segundo as investigações do Ministério Público Federal (MPF). Essa descoberta é que agora leva Eike à prisão.

As doações eleitorais do empresário realizadas nos últimos anos também apontam o trânsito de Eike entre outras personalidades da política de todo o país. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eike doou, a maior parte como pessoa física, R$ 12,6 milhões a políticos e diretórios regionais de 13 partidos em oito estados, entre 2006 e 2012. Os partidos que receberam repasses foram PT, PMDB, PSDB, PP, PSD, PSB, DEM, PR, PDT, PV, PCdoB, PTB e PTC. Os estados dos políticos são Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Maranhão, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amapá e o Distrito Federal.

Em depoimento à força-tarefa da Lava-Jato em maio, Eike admitiu ter feito pagamentos ao casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura a pedido do ex-ministro Guido Mantega (Fazenda) por despesas de campanha do PT. O empresário, no entanto, declarou que todas as demais doações realizadas foram “oficiais” e têm caráter “republicano”.

A palavra mais dita pelo empresário nos momentos antes do voo — quando se recusou a ir para a sala VIP destinadas aos passageiros com passagem na classe executiva — foi “espetacular”. Assim ele classificou o Brasil, as oportunidades e o futuro mais transparente que surgirá da Lava-Jato. Este futuro, acredita ele, vai facilitar que mais investidores façam coisas “grandiosas” como ele crê ter feito para o país.

Deixe uma resposta