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Rui Falcão propõe frente de esquerda no Congresso, diz O Globo

Depois de liberar suas bancadas no Congresso para que abram diálogo com candidatos da base do governo Temer nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu que os partidos de oposição se unam num bloco para lançar candidatura própria. Nessa aliança, estariam PT, PDT, PCdoB, Rede e PSOL.

Minha opinião pessoal é que nos unamos aos parlamentares da oposição (PDT, PCdoB, Rede e PSOL) num bloco a ser encabeçado por alguém deste campo”, ressaltou Falcão na carta publicada ontem no site do partido.

A decisão para dialogar com candidatos da base governista foi tomada durante lançamento do 6º Congresso Nacional do partido, no último dia 20. A proposta foi aprovada por 45 votos a 30, liberando a negociação com os candidatos Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Jovair Arantes (PTB-GO) na Câmara, e Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Senado.

O encontro, que aconteceu em São Paulo, contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora não houvesse um nome do partido, a decisão contrariou a militância do PT, que protestou e vem pressionando a bancada. Para a militância, apoiar Maia, que votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, seria uma contradição.

Não há tempo de promover, agora, uma consulta a toda a militância petista e a nossos milhares de simpatizantes para aferir maiorias ou minorias, tal como ocorreu nos episódios do Colégio Eleitoral e do plebiscito de 1993. O fato é que o protesto tem audiência, repercussão e deve ser ouvido pelos parlamentares”, escreveu Falcão, justificando sua defesa para a formação de um bloco de oposição.

Na carta, ele lembrou que a resolução do Diretório Nacional do partido, embora tenha liberado os parlamentares a dialogar com os candidatos da base do governo Temer, afirma claramente: “As bancadas do PT que não aceitam, não transigem e não reconhecem o governo golpista nem qualquer outro que não seja legitimado pelo voto popular continuarão atuando, em conjunto com outros partidos e parlamentares, em oposição a todas as propostas regressivas do Executivo e seus aliados”.

Se não apoiar os candidatos da base governista, o PT, mesmo sendo a segunda maior bancada das duas casas, ficará sem cargos nas mesas diretoras. Com isso, o partido não participaria das comissões para atuar contra as reformas propostas pelo governo.

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